domingo, 19 de outubro de 2014

Uma reflexão: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Hoje resolvi revirar algumas caixas, alguns papeis e cadernos antigos para ver se me esqueço da realidade alguns instantes. 
Encontrei um diário de 2013 com uns poucos registros (pois é, todo janeiro eu começo a escrever, todo julho lembro que parei e recomeço) e, me deparei com algumas palavras sobre o dia em que assisti pela primeira vez Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças e, tinha me esquecido do quanto Michel Gondry me definiu em quase duas horas de pura reflexão.

Sobre o filme...


"Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa."


Sobre mim...

Btu, 11/06/2013
"(...) Eu só quis ser gentil." Joel - Nós somos, meu amigo Joel, sempre! A gentileza que habita em mim me deixa orgulhosa às vezes, em outras me faz sentir frustrada. É tanto cuidado com os outros que sobra pouco cuidado pra mim.
"(...) Devia ler meu diário, está todo em branco..." Joel - Sou dona de uma memória fadada ao fracasso, admito e, proprietária de uma consciência cauterizada que acusa o tempo todo o quanto preciso de registros da minha história, emoções, sentimentos e afins. Acho graça de não achar mais graça em registrar, mas como é bom encontrar algumas palavras escritas em 1/3 de papel amarelado e que contém um pouco da gente... Esse fato está ligado também ao que julgo importante e, como é difícil abandonar o hábito da "sengracisse": se não acho graça e não me faz rir, não registro. Simples assim! Deixo minhas dores se dissolverem em mim como uma imagem que aos poucos vai perdendo o contraste, as cores, até que se torna um borrão. Pra quê vou querer reviver a dor lendo-a? 
"(...) Nunca acho que vivo a vida ao extremo..." Clementine - Essa sensação não é só minha, eu sei. Céus, como eu avalio a vida e meu jeito de lidar com ela! O tempo todo esse é meu vício e, quando a noite chega eu me pergunto se vivi. A desculpa, às vezes, é que o tempo passa rápido demais.
Ideias de Clementine: piqueniques noturnos - Sou amante assídua da noite, amo a forma como ela me guia e me sinto protegida, escondida, bicho alado até nos momentos de angústia! Caminhar, trocar palavras e risadas a luz da lua é a melhor das melhores sensações para mim.
"(...) Lua de mel no gelo." - Clementine 
"E se quebrar?" - Joel. 
"Você liga pra isso agora?" - Clementine
Clementine corre riscos, é impulsiva sem vergonha. Joel precisa de segurança alicerçada. Sou como Joel e adoro saber onde piso, mas ao contrário dele não me atraio por pessoas impulsivas. Me sinto frágil demais perto delas.
Voltar para a casa ao amanhecer (Clem e Joel depois de um encontro) tem um sabor diferente... Mas, quando isso acontecer é sinal de que a intimidade tem batido à porta. Isso me dá a sensação de estar mais próxima do fim. Os dias podiam simplesmente ser noite...
São 20h30 e Joel, em depressão por se perder de Clem diz a seu vizinho que precisa dormir. Choro, tremores, nó na garganta, enjoo e pensamentos martelantes dos momentos decepcionantes me fazem abraçar o travesseiro mais cedo que de costume. Isso se chama falta de solução, sono é outra coisa! 
 "(...) Não quero parecer desesperado." Joel - Mas parecemos porque estamos. Não é desespero por ter alguém, é desespero por querer receber o que se doa. Mania de injustiça (isso precisa acabar)!
Lacuna Inc. é o nome da empresa que elimina seletivamente as memórias de relacionamentos amorosos fracassados. Não, coincidentemente, o dicionário define lacuna como "espaço vago no interior de um copo". Desejo meu copo vazio de tantas coisas e cheio de tantas outras... Eu apagaria você, o problema é que me apaixonaria de novo e de novo e de novo.
"(...) Eu sou o cara mais gentil com quem ela saiu." Não, isso não basta, acostume-se! Tenho tentado não me por à prova nesse sentido e, não tenho conseguido. No fim, o que importa não é como eu sou, mas como o outro me vê. Por mais iguais que sejamos, a escolha é dele e, preciso me acostumar com as decisões.
Em um momento do longa, Joel junta tudo que faz lembrar seu relacionamento com Clementine afim de acabar com qualquer rastro de tudo que viveram juntos. E eu travo uma luta eterna sobre o que fazer quando não existe o nós. Já desejei até não ter conhecido quem não me quis e, continuo desejando.
"(...) Estou apagando você e estou feliz, você me apagou primeiro. Pela manhã você terá sumido, o final perfeito para nossa história." Joel - quem dera, meu Deus! Não, ele não estava feliz e sim, ele estava com o orgulho ferido, fragilizado. Nem sempre a manhã resolve e é difícil um final perfeito quando não depende de apenas uma opinião. 
Eu tenho uma tendência a birra que jamais revelei. Assim como o Joel ferido resolveu passar pelo procedimento experimental porque Clem o fez primeiro, eu tenho em mim a vontade de pagar com a mesma moeda SEMPRE. NUNCA me permito! Me calo, me afasto, sofro e curto a tristeza e as lembranças até os borrões caírem no esquecimento parcial e, por fim, total. 
"(...) Eu to arrancando os cabelos de tanta impaciência." Clementine - Impaciência é meu defeito! Já perdi de ser mais feliz por não ter paciência para os processos alheios, mas não me arrependo. Sonho (demais) com o imediatismo.
"(...) Você não me conta nada, Joel. Eu sou um livro aberto..." Clementine - Tem muito a ver com saber onde vou pisar e, definitivamente, não sei viver sem um feedback da relação, da situação ou seja lá o que for. Adoro falar do que estou vivendo, adoro ouvir sobre o que estou vivendo. 
"(...) Somos como aqueles pobres casais que sentimos pena no restaurante. Não suporto que as pessoas 
pensem que somos assim." Joel - Prefiro não ouvir palpites sobre meus relacionamentos. Dou ao outro total liberdade de se aprimorar para nós e, não permito influência. Só vou expor o que for verdadeiro.
Para a boneca, Clem dizia: "(...) Você não pode ser feia, seja bonita." Ah, as inseguranças já me pegaram de jeito e me "levaram no papo" por muitos anos. Agora não! Acontece que elas mudaram, não estão mais no tamanho da minha calça ou na textura do meu cabelo. Agora elas vão além, mas eu também fui além. Me viro!
"(...) Mais uma das teorias egoístas do Joel, prefere provar que eu to errada." - a sensação é boa, admita! Mas não vale o esforço. Olha ai meu lado gentil!
"(...) Você pode correr, mas não pode se esconder" disse o especialista que estava em busca das memórias de Clem no cérebro de Joel. Pois é, corria das minhas dores, mas isso nunca fez com que doessem menos. Não há esconderijos, somente tempo.
"(...) Eu exijo muita atenção." Clem - Eu não exijo, mas necessito e nunca digo, quero que adivinhem e me deem expontânea, natural e levemente.
"(...) Eu também queria ter ficado, teríamos feito muita coisa... Eu me senti um menino assustado." Joel - Tenho medo do novo e de mudanças. Às vezes, me sinto uma menina assustada e impotente. Isso dói!
"(...) Você disse "então vá" com tanto desdém!" - Recapitulando: eu exijo muita atenção!
"(...) Não sou um conceito, sou uma garota perturbada a procura de paz de espírito." - Me conceituaram previamente, esperaram tanto de mim que sinto que nunca farei o suficiente, isso me perturba. A paz de espírito? Só encontro nos meus sorrisos bobos, nos carinhos nos cabelos, nos abraços de urso. E, pensando bem, é um jeito bem feliz de dar paz ao espírito.
Clem e Joel terminam (ou começam) correndo na praia em um inverno congelante. Contraditório e delicioso ao mesmo tempo. 

Ah, laranja é minha cor favorita junto com o preto da noite e, eu ainda não estou aonde desejo estar (já estive, mas você não estava lá).

"Blessed are the forgetful"